Quem tem medo de injeção?

março 4, 2008

injecao.jpg

Ontem eu estava atrás de alguns micróbios para minha recém-nascida.

Luísa havia completado oito dias de vida e depois de uma semana onde tudo o que ela conheceu foram os limites do nosso apartamento, nos aprontamos para mostrar a vida que corre fora das grades do condomínio.

O sol estava num amarelo lindo, vivo. Muita gente caminhando nas calçadas a sombra das arvores, que se debruçavam levemente sobre a avenida não muito movimentada. Eu dirigia devagar, vidros abertos para que Luísa pudesse conhecer o sabor da brisa no rosto. Lembrava um comercial de TV. Julinha cantarolava uma musiquinha que tinha aprendido na escola e mamãe aninhava a caçula nos braços. Mas meu objetivo não tinha nada haver com comerciais de margarina e afins.  

Eu queria micróbios.

Mas especificamente uma bactéria de nome complicado chamada Mycobacterium Bovis, ela cresce dentro das vísceras dos bois. Sem muito esforço encontrei o prédio onde a especialidade é exatamente essa. Introduzir micróbios em crianças. Dali a alguns minutos minha filhinha estava sendo perfurada com um pedaço fino de ferro para que as bactérias pudessem entrar no seu organismo. Um furo no braço direito, outro na coxa esquerda e antes de partir um corte no pezinho que sangrou bastante.

Calma!

Antes de pensar que sou louco e desalmado permita que explique os meus motivos.

Acabei de descrever ai em cima um processo que todos devem vivenciar. E que os pais amorosos jamais vão abrir mão de proporcionar aos filhos. Levei a Luísa para as primeiras vacinas e o teste de pezinho. As bactérias que procurava na verdade fazem parte da composição da medicação preventiva ministrada aos recém-nascidos.

Grosso modo é o seguinte. Em laboratório os cientistas enfraquecem todas aquelas doenças terríveis como hepatite, tuberculose e etc… A um nível em que aqueles germes não conseguem mais adoecer nem um neném. Eles aplicam micróbios enfraquecidos no corpo dos bebês para que o organismo jovem possa criar a resistência necessária para nunca ficar adoecido. Algumas destas vacinas são umas simples gotinhas, outras são aplicadas através de injeções, como as que a Luísa e todos os bebês brasileiros recebem no primeiro mês de vida.

Já o teste do pezinho é um furo feito no calcanhar. Um local rico em vasos sanguíneos. O sangue é coletado num papel filtro e examinado para prevenir doenças como: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e fibrose cística. Ufa!!

Mas como explicar tudo isso a uma criancinha de oito dias?

Como faze-la entender que na verdade todos aqueles furos e cortes eram provas do nosso amor?

Fiquei intrigado com aquela situação. Se meu bebê pudesse falar o que diria? Talvez me chamasse de masoquista. Ou então me acusasse de ser desnaturado.

Primeiro passeio e em vez de diversão você me leva para ser furada e cortada?

 Como explicar a uma recém-nascida que aquelas bactérias retiradas dos intestinos dos bois na verdade vão fazer com que ela adquira a imunidade para jamais ficar doente?

Voltei para casa pensativo. Lembrei dos momentos em que pensava estar saindo para passeios com Deus e subitamente me vi sendo furado e cortado por todos os lados. Situações, pessoas, palavras, organizações, atitudes… A lista de injeções é extensa.

Só que diferente da minha caçula além de chorar sei falar.

E como reclamo.

Porque fui ferido? O Senhor não vai fazer nada para impedir? Não vê o quanto estou sangrando? Não vai punir as pessoas que estão me machucando?

Guiando o carro no retorno para casa me dei conta de que o mesmo processo que utilizei para garantir a saúde das minhas crianças é usado o tempo todo por Deus em mim.

Oseías 06:01 diz…Ele nos feriu, mas com certeza vai nos curar;(NTLH)

No entanto era tão imaturo para compreender a profundidade desta jóia da Palavra.

Não foram nos momentos de risos e celebração que cresci e melhorei. Não foram nas festas que mudei meus rumos. Holofotes não trouxeram cura. Aplausos não forjaram o caráter.

Confrontos e arrependimento sim.

Lagrimas e reflexão também. Foram nas horas de dor que mirei o alto procurando os olhos do Pai. Na solidão busquei Suas mãos e no silêncio encontrei as respostas para minha alma aflita.

Meu Pai não estava me ferindo quando permitiu que as adversidades da existência me alcançassem. Estava me vacinando. Permitindo que alguns micróbios espirituais entrassem em contato com minhas emoções, preparando meu coração para desafios maiores, tornando meu espírito fortalecido ante as lutas que teria. Adestrando minhas mãos para a vida.

Apenas quando fui obrigado a ferir uma filha para conseguir cura, compreendi o que o Senhor (que é pai) quis dizer em Oséias 06:01. E esta lição foi libertadora. Mudou a forma como interpretei vários eventos que vivi ao longo da caminhada.

Comecei a substituir cada uma das alfinetadas que recebi. Em vez de ofensas. Vacinas.

Vacinas contra mentira, vacinas anti-decepção, vacinas que previnem o ódio, divisão, hipocrisia, falta de amor, religiosidade, ambição desmedida, olhos altivos… A relação é enorme. Você pode fazer a sua.

Entendi como um ato de amor do meu Pai, permitir que eu levasse tantas injeções.

Afinal todos os vírus estão tão mortais quanto ontem. Não foram os micróbios que ficaram fracos, foi Luísa que ficou mais forte.

E ao lado da certeza da força, está o entendimento de que outras agulhadas virão. Minha pequena ainda precisa de muitas vacinas ao longo da vida. Eu também.

Troquei as orações que pediam justiça por preces de gratidão.

Prefiro vivenciar a dor da vacina que cura, do que atravessar a existência na dormência que adoece corpo, alma e espírito.

Ultimo detalhe.

Ao ser vacinada com uma injeção na perninha minha neném que estava dormindo começou a chorar forte de dor. Mas quando a tomei nos braços ela instantaneamente silenciou, adormecendo novamente como se nada houvesse acontecido.

Na próxima vez que sentir agulhadas em meu coração, vou repetir o que aprendi com Luísa ontem. Aninhar-me nos braços do Pai, adormecer e confiar.

Enquanto estiver neste abraço, jamais vou adoecer.  

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7 Respostas to “Quem tem medo de injeção?”

  1. ruben Says:

    Parabéns amigo, dá pra ver que você será um grande pastor. Já sente o que as ovelhas sentem e sabe aplicar a Palavra em cada situação. Só não deixe de cantar black-music popular brasileira com letras cristãs, mesmo que a moda seja worship ou afins com frases de pára-choque de caminhão gospel.

  2. Mariane Says:

    Clayton! parabéns pela Luisa, é linda sua filhota!! que chorinho forte que ela tem, né??? e parece mesmo com você, mas não é moreninha não… é bem branquinha!! a cara da Julia mesmo!! bjos pra Ju, mamãe tão dedicada! beijo grande e saudade de vcs!!

  3. Jenny Says:

    clap clap clap palmas palmas palmas
    sabe Clayton,nunca tinha entendido tão bem uma explicação para certas coisas q a gente enfreta,saca?
    foi bom Deus trazer a sua mente essa reflexao q serviu tbm pra mim
    li o post todo apesar d bem grande e é a mais pura realidade o q vc disse!
    Deus te abençoe e beijos na julinha na luiza em vc e na sua linda esposa.

  4. deby Says:

    oie!
    bom dia!
    to passando pra dxar um abraço!
    olha, seu blog tah um show, hein?!
    muito legal mesmo!
    depois vou passar com mais calma pra ler mais posts!
    hehhe
    bjo, fika com deus!

  5. André Says:

    Olá Clayton, æ brother? blz? Tem jeito de fazer chegar aqui em Goiânia aquele cd, com a música mãe? um abraço

  6. Cláudio Lima Says:

    Excelente explanação Claytão, minha filha esta com 10 dias e por coincidência de Deus (leia-se provisão), eu li isso exatamente depois de leva-la para vacinar, reflexão vivenciada como a sua… Que Deus continue de usando!!!

  7. SIMONE Says:

    mais uma vez voce veio reforçar a tese de que és mesmo um anjo em forma de gente.. este texto era TUDO que precisava hoje, suas palavras foram antidoto contra a dor que sinto…


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