Archive for março, 2008

LuiZa ou LuíSa? Eis a Resposta

março 25, 2008

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Quando alguém nasce em uma família judia não recebe um nome imediatamente. Os pais convivem com o bebê um tempo. Conhecem mais sobre o temperamento, refletem sobre as circunstancias do parto e avaliam o histórico da gestação. Após esse processo escolhem cuidadosamente um nome que possa traduzir todos estes eventos em uma só palavra. Consulte sua bíblia e vai encontrar exemplos clássicos de nomes com significados lindos até alguns que dão arrepios quando descobrimos o sentido.

Por exemplo. Emanuel significa: Deus Conosco. Já Mara seria: Amarga

Mas se você se chama Mara não fique chateada, conheço Maras que são um doce e uns Emanueis que não querem nem saber de Deus.

Aqui no ocidente a coisa corre mais frouxa.

Cada um tem seu jeito de escolher o nome ideal para o filho. Alguns decidem por causa do som sofisticado da palavra, (Uxley Jason) outros querem homenagear figuras importantes (Wolfgan Amadeus Mozart da Silva), apaixonados juntam os nomes dos pais (Jairinho e Cassiane tiveram uma filha registrada como Jayanne) e falando nela tem os que adoram enfeitar enchendo os nomes com três N’s, vários Y’s e uma enxurrada de T’s.

Mas afinal de contas existe nome ideal?

Trabalhando por três anos num cartório lidei diariamente com prenomes dos mais simples aos totalmente exóticos. Tinha gente registrada como Antão, Mac Donald, Maicon Jequison além dos gêmeos Difuntino e Reduzino. Era uma festa. Em 1973 o governo resolveu colocar um freio na criatividade brasileira. Os cartórios hoje são proibidos de registrar nomes que possam colocar as crianças em situação vexatória. Mas como explicar a uma mamãe que Epistilênio é um nome, hum, bem, arf, um pouquinho inadequado?

Como a maioria dos brasileiros meu nome foi escolhido de forma bem peculiar. Sou Clayton por causa de uma marca de margarina.

Você já passou Claybom no pão de manhã antes de sair?

Se a resposta for sim. Lembre-se de mim no próximo intervalo para o cafezinho com biscoitos. Minha mãe ama margarina e achava lindo o nome da empresa que até 1986 fabricava a bendita.Anderson Clayton Inc.

Daí surgiu à vontade de ter dois filhos, um chamado Anderson e outro Clayton.Meu irmão seria batizado como Anderson, no entanto uma Tia que também curtia pão com manteiga teve seu filho dias antes do meu irmão nascer, por isso meus pais resolveram com Cléverson.

Agora tinha chegado minha vez de escolher o nome para uma filha.

Decidir por Julia tecnicamente foi fácil. Minha esposa já tinha esse nome desde o dia em que começamos a namorar. No segundo filho tínhamos decidido que se fosse menino seria batizado como Bernardo, já para menina gostávamos muito de LuíSa ou seria LuiZa???

No inicio não gastamos muitos neurônios pensando nisso porque ainda existia a possibilidade de termos um menino, hipótese que se dissolveu nos primeiros meses de gestação. Teríamos mais uma menina. Então hora de por a mão na massa e decidir qual a grafia correta. De cara começamos uma pesquisa informal juntos aos amigos e parentes. Deu LuiZa na cabeça.

Um dia fui garimpar num dicionário de prenomes e descobri que LuiZa com Z nem era mencionado, só existia LuiSa entre os verbetes. Resolvemos dar uma pesquisada e descobrimos o seguinte.

Para começar LuiZa ou LuíSa é o equivalente feminino de LuiS ou LuiZ.

Nome de origem germânica que em alemão arcaico é formado por duas palavrinhas:

Hlud – Fama e Wig – Guerra = Hludwig.

O que numa interpretação ao pé da letra seria “Guerreiro Famoso”

A forma latina do mesmo prenome é: Clodovicus e posteriormente Ludovicus.

Em francês antigo Looïs no moderno Louis.

Esse nome começou a ficar muito popular na Península Ibérica devido ao carisma de um rei francês chamado Luís IX e já foi utilizado por mais de dezoitoreis da França. Chique hein?

Aqui na nossa terrinha o nome foi “abrasileirado” ganhando versões (vai saber por que) com Z, ou seja, Luís se transformou em Luiz.

De acordo com as normas ortográficas vigentes LuiZ não é a forma correta de se escrever. No entanto tantas pessoas já foram registradas dessa forma que ninguém liga mais.

Assim as LuíSas seguiram pela mesma trilha transformando se em   LuiZas.

Isso é mais comum do que parece. Chamo-me Clayton, porque a fonte de inspiração dos meus pais foi uma empresa gringa e eles reproduziram a ortografia do prenome letra por letra, entretanto o mais comum é encontrar versões tupiniquins como: Cleyton, Cleiton, Cleito, Cleitu, Cleitom e por ai vai…

No fim a decisão é mais pessoal do que qualquer coisa.

Particularmente acho o Z muito quadrado. Sinto atração pelo S mais redondinho e delicado. Quando escrevo a mão também sinto que LuíSa flui de forma mais fácil.

Dias antes de registrar encontrei uma garotinha de uns 7 anos que se chamava LuíSa com S. Não resisti a pergunta.

– Você é feliz com o S?– Claro! Porque não seria?

Papo encerrado. Contrariando 96% das opiniões de pessoas próximas e distantes decidimos registrar nossa segunda filhinha como

Luísa Tabosa Oliveira.

A Palavra ensina: Mais vale o bom nome que as muitas riquezas.

E com certeza um bom nome é feito de muito mais do que detalhes como o S ou o Z. Um bom nome é fruto de caráter, integridade, ética, honestidade, sabedoria e todas estas coisas que andam tão em falta ultimamente.

Como pais queremos transmitir todos esses valores para nossas pequenas e isso com certeza é feito de um material muito mais complexo do que a fila de letrinhas utilizada para se referir a pessoas que podem as vezes até ter o mesmo nome, mas que com certeza são únicas.    

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Enquanto isso nos estúdios…

março 24, 2008

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Pessoal, estou aqui para justificar a ausência dos posts diarios.

Na ultima semana estive numa correria danada gravando o novo CD do Disco Praise. Graças a Deus terminamos.

E o lançamento oficial já tem data. 12 de Abril.

Breve mais informações.

Inté!

Ler, Ver, Ouvir e Comer – Vol 2

março 24, 2008

Algumas coisinhas legais que tenho curtido nestes dias.

LER:

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Revista National Geografic Brasil: Essa é uma das minhas publicações preferidas. Matérias científicas, textos impecavéis e fotos de tirar o folêgo.

VER:

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Le Fabuleux destin d’Amélie Poulain ou O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: Eu já tinha visto muita gente bacana elogiando esse filme francês e conclui que ninguem aumentou nada. É Maravilhoso.

OUVIR:

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Diana Krall: Estou descobrindo melhor essa pianista canadense que interpreta clássicos e novidades do jazz de maneira agradabilíssima. Live in Paris é meu favorito.

COMER:

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Temaki: Um sushi grandão com mais ingredientes. Devorei um de salmão com ervas. É o equivalente oriental do sanduíche. Delicia.

Votem em Nós

março 18, 2008

Um video onde explicamos o que é o Disco Praise

Para nos abençoar com seu voto no Troféu Talento clique AQUI

Tudo sobre os pimpolhos

março 13, 2008

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Atualmente este tem sido o meu site preferido. Dicas preciosas.
divirta-se

=]

Feliz Dia da Mulheres

março 8, 2008

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Feliz Dia Internacional das Mulheres!!

Eu vou comemorar junto das minhas três.

Se não fosse vocês agente não estaria aqui

DP no Site do Troféu Talento

março 8, 2008

Hoje foi publicada no site do troféu talento a entrevistinha com o Disco Praise que segue a baixo.

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A banda veio de Brasília para mostrar seu trabalho em todo o Brasil. Aos poucos, a Discopraise mostra que talento não falta ao grupo. Amigos desde a infância, Clayton O’lee (vocalista), Jota Albuquerque (baixista), Alysson Villefort (baterista), Davi Moreno (guitarrista) e Cláudio Gómez (tecladista) se juntaram em 2002 para levar a mensagem do Senhor através da música. Indicado em três categorias no troféu Talento 2008: Banda, Álbum Pop e Pop Rock (Vai Tudo Muito Bem) e Vídeo Clipe (A Batalha de Josué), o grupo conta um pouco sobre seu álbum, o clipe indicado e como receberam a indicação ao prêmio. Leia a entrevista.

TROFÉU TALENTO Qual a maior dificuldade que a banda encontrou desde que se formou em 2002?
DISCOPRAISE –
Foram muitos os desafios que encontramos ao longo do caminho, o maior com certeza foi o da distribuição. Graças a Deus muita gente entra em contato com a banda através do site e pelo telefone, entretanto nosso país é continental e espalhar a mensagem nos quatro cantos do Brasil é um grande trabalho. Mas o Senhor, com sua grande misericórdia, tem colocado pessoas incríveis perto de nós. Temos fechado importantes parcerias que com certeza vão possibilitar a todos acesso ao trabalho de nosso ministério com todo conforto em todas as cidades da nossa nação.

TROFÉU TALENTO Como vocês receberam a indicação para o Troféu Talento?
DISCOPRAISE – Com surpresa, gratidão e temor. Entendemos este tempo como uma oportunidade de testemunhar sobre o que temos vivido em Jesus para mais pessoas. Ver nosso nome ao lado de grandes ícones como André Valadão, Fernandinho, Kleber Lucas e tanta gente boa de Deus nos motiva a trabalhar ainda mais para o Reino. Participar deste momento da história do povo do Senhor é um grande privilégio.

TROFÉU TALENTO – Conte um pouco sobre o álbum “Vai Tudo Muito Bem”.
DISCOPRAISE – Este CD totalmente evangelístico foi um presente de Deus na nossa vida desde o início. Tivemos o privilégio de gravar ao lado de grandes nomes, em ótimos estúdios, inclusive fora do Brasil. É um álbum alegre e contagiante que fala do amor de Deus de uma forma bem descontraída, porém comprometida com a Palavra e numa linguagem bem acessível. Esperamos que todos os que ouvirem estas canções possam ser contagiados pela presença do Espírito Santo.
TROFÉU TALENTO – Como surgiu a idéia de fazer o clipe “A Batalha de Josué”?
Discopraise – Sonhávamos em gravar um clipe que representasse artistas usando seu talento para a glória do Senhor. Uma série de eventos fez com que chegássemos à equipe do Le Cirque, um grupo de artistas muito profissionais que é dirigido por cristãos. Ver esse clipe indicado no Troféu Talento foi uma grande e alegre surpresa.

TROFÉU TALENTO – O quê o público pode esperar no show da Discopraise?
Discopraise – Muita celebração, alegria e busca pela presença de Deus. Somos um ministério evangelístico e adorador. Acreditamos na estratégia de fisgar corações através do som e conduzir estas vidas até o Senhor pelo caminho da Adoração. A Palavra diz: “Todo ser que respira Louve ao Senhor.” Se você respira está convidado a louvar ao nosso lado. 

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Para conferir a entrevista direto no site do TT clique AQUI

E como estamos falando em Troféu Talento não custa nada pedir um voto né?

Todos podem votar uma vez por dia nesse link Ó

Duvidas sobre como participar você tira AQUI

Fiquem na Paz!

Brigadão!

março 8, 2008

Vocês não tem noção do quanto estou curtindo o blog. E o mais legal é encontrar tanta gente acompanhando os textinhos e participando nos comentarios.

Todas as mensagens são muito importantes. São elas que dão movimento para tudo isso aqui.

Escrevam a vontade. Todo dia se quiser. Critiquem, opiniem, coloquem a boca no trombone que a casa é nossa.

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=]

De Volta ao Trabalho

março 6, 2008

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Depois de trinta dias de aventuras e descanso voltei ao trabalho na  Tv Gênesis.

Tenho orgulho de fazer parte desse grande time.

É um privilégio servir ao lado de pessoas como:

Robson e Lucia Rodovalho, Creffo Dollar, Joyce Mayer, André Valadão, Silas Malafaia, Fadi Faraj, Jeová de Aquino, Ana Valadão, Antonio Cirilo, Hernani Santos, JB Carvalho, Potira Lima, Vivi Tominaga, Black Drummer, Jorge Linhares, Diego Marques e por ai vai

Todos gente muito boa de Deus.

Voltei com novidades, agora estou ao vivo todos os dias no Louvor Brasil. Um programa que dá oportunidades para novos talentos na música. Eu AMO isso, poder servir aos novinhos que estão chegando e em breve vão estar correndo os quatro cantos desse mundão.

Todos que acessam o blog estão intimados a assistir. Todos os dias das 18h30 às 19h00 na Tv ou pelo site: www.redegenesis.com

Se quiser participar basta telefonar no 0xx61 3035 9091.

Agente se vê por aqui e na Tv Moçada.

Quem tem medo de injeção?

março 4, 2008

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Ontem eu estava atrás de alguns micróbios para minha recém-nascida.

Luísa havia completado oito dias de vida e depois de uma semana onde tudo o que ela conheceu foram os limites do nosso apartamento, nos aprontamos para mostrar a vida que corre fora das grades do condomínio.

O sol estava num amarelo lindo, vivo. Muita gente caminhando nas calçadas a sombra das arvores, que se debruçavam levemente sobre a avenida não muito movimentada. Eu dirigia devagar, vidros abertos para que Luísa pudesse conhecer o sabor da brisa no rosto. Lembrava um comercial de TV. Julinha cantarolava uma musiquinha que tinha aprendido na escola e mamãe aninhava a caçula nos braços. Mas meu objetivo não tinha nada haver com comerciais de margarina e afins.  

Eu queria micróbios.

Mas especificamente uma bactéria de nome complicado chamada Mycobacterium Bovis, ela cresce dentro das vísceras dos bois. Sem muito esforço encontrei o prédio onde a especialidade é exatamente essa. Introduzir micróbios em crianças. Dali a alguns minutos minha filhinha estava sendo perfurada com um pedaço fino de ferro para que as bactérias pudessem entrar no seu organismo. Um furo no braço direito, outro na coxa esquerda e antes de partir um corte no pezinho que sangrou bastante.

Calma!

Antes de pensar que sou louco e desalmado permita que explique os meus motivos.

Acabei de descrever ai em cima um processo que todos devem vivenciar. E que os pais amorosos jamais vão abrir mão de proporcionar aos filhos. Levei a Luísa para as primeiras vacinas e o teste de pezinho. As bactérias que procurava na verdade fazem parte da composição da medicação preventiva ministrada aos recém-nascidos.

Grosso modo é o seguinte. Em laboratório os cientistas enfraquecem todas aquelas doenças terríveis como hepatite, tuberculose e etc… A um nível em que aqueles germes não conseguem mais adoecer nem um neném. Eles aplicam micróbios enfraquecidos no corpo dos bebês para que o organismo jovem possa criar a resistência necessária para nunca ficar adoecido. Algumas destas vacinas são umas simples gotinhas, outras são aplicadas através de injeções, como as que a Luísa e todos os bebês brasileiros recebem no primeiro mês de vida.

Já o teste do pezinho é um furo feito no calcanhar. Um local rico em vasos sanguíneos. O sangue é coletado num papel filtro e examinado para prevenir doenças como: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e fibrose cística. Ufa!!

Mas como explicar tudo isso a uma criancinha de oito dias?

Como faze-la entender que na verdade todos aqueles furos e cortes eram provas do nosso amor?

Fiquei intrigado com aquela situação. Se meu bebê pudesse falar o que diria? Talvez me chamasse de masoquista. Ou então me acusasse de ser desnaturado.

Primeiro passeio e em vez de diversão você me leva para ser furada e cortada?

 Como explicar a uma recém-nascida que aquelas bactérias retiradas dos intestinos dos bois na verdade vão fazer com que ela adquira a imunidade para jamais ficar doente?

Voltei para casa pensativo. Lembrei dos momentos em que pensava estar saindo para passeios com Deus e subitamente me vi sendo furado e cortado por todos os lados. Situações, pessoas, palavras, organizações, atitudes… A lista de injeções é extensa.

Só que diferente da minha caçula além de chorar sei falar.

E como reclamo.

Porque fui ferido? O Senhor não vai fazer nada para impedir? Não vê o quanto estou sangrando? Não vai punir as pessoas que estão me machucando?

Guiando o carro no retorno para casa me dei conta de que o mesmo processo que utilizei para garantir a saúde das minhas crianças é usado o tempo todo por Deus em mim.

Oseías 06:01 diz…Ele nos feriu, mas com certeza vai nos curar;(NTLH)

No entanto era tão imaturo para compreender a profundidade desta jóia da Palavra.

Não foram nos momentos de risos e celebração que cresci e melhorei. Não foram nas festas que mudei meus rumos. Holofotes não trouxeram cura. Aplausos não forjaram o caráter.

Confrontos e arrependimento sim.

Lagrimas e reflexão também. Foram nas horas de dor que mirei o alto procurando os olhos do Pai. Na solidão busquei Suas mãos e no silêncio encontrei as respostas para minha alma aflita.

Meu Pai não estava me ferindo quando permitiu que as adversidades da existência me alcançassem. Estava me vacinando. Permitindo que alguns micróbios espirituais entrassem em contato com minhas emoções, preparando meu coração para desafios maiores, tornando meu espírito fortalecido ante as lutas que teria. Adestrando minhas mãos para a vida.

Apenas quando fui obrigado a ferir uma filha para conseguir cura, compreendi o que o Senhor (que é pai) quis dizer em Oséias 06:01. E esta lição foi libertadora. Mudou a forma como interpretei vários eventos que vivi ao longo da caminhada.

Comecei a substituir cada uma das alfinetadas que recebi. Em vez de ofensas. Vacinas.

Vacinas contra mentira, vacinas anti-decepção, vacinas que previnem o ódio, divisão, hipocrisia, falta de amor, religiosidade, ambição desmedida, olhos altivos… A relação é enorme. Você pode fazer a sua.

Entendi como um ato de amor do meu Pai, permitir que eu levasse tantas injeções.

Afinal todos os vírus estão tão mortais quanto ontem. Não foram os micróbios que ficaram fracos, foi Luísa que ficou mais forte.

E ao lado da certeza da força, está o entendimento de que outras agulhadas virão. Minha pequena ainda precisa de muitas vacinas ao longo da vida. Eu também.

Troquei as orações que pediam justiça por preces de gratidão.

Prefiro vivenciar a dor da vacina que cura, do que atravessar a existência na dormência que adoece corpo, alma e espírito.

Ultimo detalhe.

Ao ser vacinada com uma injeção na perninha minha neném que estava dormindo começou a chorar forte de dor. Mas quando a tomei nos braços ela instantaneamente silenciou, adormecendo novamente como se nada houvesse acontecido.

Na próxima vez que sentir agulhadas em meu coração, vou repetir o que aprendi com Luísa ontem. Aninhar-me nos braços do Pai, adormecer e confiar.

Enquanto estiver neste abraço, jamais vou adoecer.  

A alegria vem pela manhã (bem cedo)

março 1, 2008

O dia nasceu lindo no domingo. Levantamos as 06h00 da matina, conferimos as nossas coisas e zarpamos para o hospital. Estrada deserta, trânsito excelente.

Um funcionário com cara amarrotada de sono nos recebeu e começou os procedimentos chatos e burocráticos de internação. Eu estava elétrico, a Jú em pânico, mas os dois mantendo o bom humor. Meu irmão já estava nos esperando com filmadora a tira-colo.

na recepção do hospital

Subimos para o nosso apartamento. Era grande, ventilado, com um banheiro enorme e uma televisão que insistia em não funcionar. Entrei me jogando no sofá, fingindo estar num hotel. Liguei na recepção para reclamar da TV, minha fantasia não durou 40 segundos, quando a mocinha de branco entrou toda sorridente com roupas cirúrgicas nas mãos caiu à ficha. Luisa estava chegando.

Juliane de roupa trocada foi caminhando para o centro cirúrgico. Fiquei para trás pegando as ultimas instruções sobre como operar uma filmadora com a mão direita e câmera fotográfica na esquerda, ao mesmo tempo. Sai desajeitado atrás da enfermeira já filmando o caminho entre o apartamento e o local da operação.

Chegando encontrei nossos médicos com um humor ótimo. Maior astral. A equipe que realizaria nosso parto era internacional, um equatoriano Dr. Ramiro Morocho (Nosso obstetra) e um árabe Dr. Mohamed Ibrahim. Excelentes profissionais. Fizeram piada das minhas mãos ocupadas e me apressaram para trocar de roupa. Dentro do vestiário começou a bater aquela ansiedade na boca do estomago.

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– Ándale Hombre!! Me apressava doutor Ramiro.

Na sala de operações os procedimentos para a cirurgia já haviam começado. A Jú procurava com olhos aflitos, por isso me deixaram entrar e acalma-la durante a anestesia.

Observação Importante: Somos TOTALMENTE a favor do parto normal. Desde o inicio da nossa gravidez consideramos a cesariana como ultima alternativa. O motivo de a Luisa chegar ao mundo nesta modalidade de parto você vai descobrir daqui a pouco.

Os doutores entraram. Tranqüilizaram a Jú, informando que todos os aparelhos registravam condições ideais de parto e que todas as sensações horríveis da anestesia não eram nada além de… Sensações. Tudo estava certo.

No entanto minha mulher estava com os nervos à flor da pele.Os assistentes colocaram uma cadeirinha para que sentasse perto da cabeça da Jú, atrás do pano. Eu ficava acalmando a parturiente e tentando registrar tudo ao mesmo tempo com as duas mãos. Quem me conhece sabe o quanto eu sou unidirecional. Não consigo falar ao telefone e ler ao mesmo tempo. Imagina meu aperto.

O anestesista não parava de chamar.

– Vem filmar aqui na frente. Tá fazendo o corte agora ó.

– Só a neném. Agente só quer registrar a neném.

Eu tinha que repetir todo tempo.Quem vai querer bisturis, sangue e seringas como lembranças de infância? Cada uma hein.

– Venga, para cá!! Está em la hora!!

De bate pronto pulei da cadeira e corri para frente. No nervosismo fui conferir a se a filmadora estava gravando e acabei desligando. Com as mãos nervosas coloquei a maquina fotográfica na opção de filmar e gritei Vai!

Em um momento desses o tempo para. Nada que eu escreva. Nenhuma palavra consegue traduzir a dimensão que tem. A expressão “amor à primeira vista”ganha um sentidomágico numa hora como essa. Se você é pai ou mãe entende o que estou dizendo. Se ainda não é sinceramente espero que um dia compreenda.

Talvez você não tenha percebido, mas num movimento rápido o médico desenrolou o cordão umbilical do pescocinho.

Agradeço a Deus por todo o avanço da medicina. Quantas mulheres e crianças já morreram devido a complicações com cordões umbilicais? Já aconteceu uma vez na minha casa. Devia ter uns 12 anos. Chegaram com uma mulher em trabalho de parto e colocaram no quarto dos meus pais. Ela parecia sentir muita dor e para tentar ajudar disse pra ela que se fosse um menino o chamasse de Clayton. Ela deve ter ficado lá por umas duas horas e no outro dia soube que o bebê infelizmente morreu ao nascer por estar com o cordão em volta do pescoço. “Bendita” rede pública de hospitais. Era um menino e ela o chamou de Clayton.

Domingo graças a Deus e a toda a evolução minha filhinha nasceu perfeita.

A partir daí foi festa. Filmar o teste de Apgar. Conferencia de peso e tamanho. Primeiro banho. Ligar para os pais e transmitir o chorinho. Correr para descrever melhor a neném para a Jú. Só alegria.

Antes que me esqueça, os números.

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 24/02/2008. Às 07h45. 3,400 kg. 49 cm. Cesariana.

O pós-operatório foi tranqüilo. Em algumas horas as duas já estavam no apartamento descansando. Nossos amigos e parentes deram um trabalhão para os seguranças do hospital. Uma procissão começou a se formar desde o momento em que estávamos no centro cirúrgico. Pai, mãe, irmãos, cunhados, tios. Ê povo animado. Deixa a criança dormir gente!

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Passei a primeira noite da Luisa ao lado dela e da mamãe. Assistimos ao Oscar juntos.Quer dizer. Prestar atenção, não prestamos. Estávamos muito encantados para fazer outra coisa senão cheirar e beijar aquele pedacinho de gente.

No outro dia a Julinha conheceu a irmãzinha. O encontro foi lindo, Julia foi super receptiva. Só que as pilhas da maquina resolveram falhar na hora. Mas a vovó registrou. Logo posto as fotos das duas juntas. Lindas.

Ser pai de segunda viagem é como um sonho. É como um candango visitando o rio de janeiro pela segunda vez. Não entendeu? Amanhã explico. 

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A luísa nasceu linda, perfeita e cara da Julia. Elas são iguaizinhas. Pelo menos ao nascer.

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A Palavra diz que a alegria vem pela manhã, no nosso caso ela chegou bem cedo.

Obrigado Senhor. =]