Quando alguém nasce em uma família judia não recebe um nome imediatamente. Os pais convivem com o bebê um tempo. Conhecem mais sobre o temperamento, refletem sobre as circunstancias do parto e avaliam o histórico da gestação. Após esse processo escolhem cuidadosamente um nome que possa traduzir todos estes eventos em uma só palavra. Consulte sua bíblia e vai encontrar exemplos clássicos de nomes com significados lindos até alguns que dão arrepios quando descobrimos o sentido.
Por exemplo. Emanuel significa: Deus Conosco. Já Mara seria: Amarga
Mas se você se chama Mara não fique chateada, conheço Maras que são um doce e uns Emanueis que não querem nem saber de Deus.
Aqui no ocidente a coisa corre mais frouxa.
Cada um tem seu jeito de escolher o nome ideal para o filho. Alguns decidem por causa do som sofisticado da palavra, (Uxley Jason) outros querem homenagear figuras importantes (Wolfgan Amadeus Mozart da Silva), apaixonados juntam os nomes dos pais (Jairinho e Cassiane tiveram uma filha registrada como Jayanne) e falando nela tem os que adoram enfeitar enchendo os nomes com três N’s, vários Y’s e uma enxurrada de T’s.
Mas afinal de contas existe nome ideal?
Trabalhando por três anos num cartório lidei diariamente com prenomes dos mais simples aos totalmente exóticos. Tinha gente registrada como Antão, Mac Donald, Maicon Jequison além dos gêmeos Difuntino e Reduzino. Era uma festa. Em 1973 o governo resolveu colocar um freio na criatividade brasileira. Os cartórios hoje são proibidos de registrar nomes que possam colocar as crianças em situação vexatória. Mas como explicar a uma mamãe que Epistilênio é um nome, hum, bem, arf, um pouquinho inadequado?
Como a maioria dos brasileiros meu nome foi escolhido de forma bem peculiar. Sou Clayton por causa de uma marca de margarina.
Você já passou Claybom no pão de manhã antes de sair?
Se a resposta for sim. Lembre-se de mim no próximo intervalo para o cafezinho com biscoitos. Minha mãe ama margarina e achava lindo o nome da empresa que até 1986 fabricava a bendita.Anderson Clayton Inc.
Daí surgiu à vontade de ter dois filhos, um chamado Anderson e outro Clayton.Meu irmão seria batizado como Anderson, no entanto uma Tia que também curtia pão com manteiga teve seu filho dias antes do meu irmão nascer, por isso meus pais resolveram com Cléverson.
Agora tinha chegado minha vez de escolher o nome para uma filha.
Decidir por Julia tecnicamente foi fácil. Minha esposa já tinha esse nome desde o dia em que começamos a namorar. No segundo filho tínhamos decidido que se fosse menino seria batizado como Bernardo, já para menina gostávamos muito de LuíSa ou seria LuiZa???
No inicio não gastamos muitos neurônios pensando nisso porque ainda existia a possibilidade de termos um menino, hipótese que se dissolveu nos primeiros meses de gestação. Teríamos mais uma menina. Então hora de por a mão na massa e decidir qual a grafia correta. De cara começamos uma pesquisa informal juntos aos amigos e parentes. Deu LuiZa na cabeça.
Um dia fui garimpar num dicionário de prenomes e descobri que LuiZa com Z nem era mencionado, só existia LuiSa entre os verbetes. Resolvemos dar uma pesquisada e descobrimos o seguinte.
Para começar LuiZa ou LuíSa é o equivalente feminino de LuiS ou LuiZ.
Nome de origem germânica que em alemão arcaico é formado por duas palavrinhas:
Hlud – Fama e Wig – Guerra = Hludwig.
O que numa interpretação ao pé da letra seria “Guerreiro Famoso”
A forma latina do mesmo prenome é: Clodovicus e posteriormente Ludovicus.
Em francês antigo Looïs no moderno Louis.
Esse nome começou a ficar muito popular na Península Ibérica devido ao carisma de um rei francês chamado Luís IX e já foi utilizado por mais de dezoitoreis da França. Chique hein?
Aqui na nossa terrinha o nome foi “abrasileirado” ganhando versões (vai saber por que) com Z, ou seja, Luís se transformou em Luiz.
De acordo com as normas ortográficas vigentes LuiZ não é a forma correta de se escrever. No entanto tantas pessoas já foram registradas dessa forma que ninguém liga mais.
Assim as LuíSas seguiram pela mesma trilha transformando se em LuiZas.
Isso é mais comum do que parece. Chamo-me Clayton, porque a fonte de inspiração dos meus pais foi uma empresa gringa e eles reproduziram a ortografia do prenome letra por letra, entretanto o mais comum é encontrar versões tupiniquins como: Cleyton, Cleiton, Cleito, Cleitu, Cleitom e por ai vai…
No fim a decisão é mais pessoal do que qualquer coisa.
Particularmente acho o Z muito quadrado. Sinto atração pelo S mais redondinho e delicado. Quando escrevo a mão também sinto que LuíSa flui de forma mais fácil.
Dias antes de registrar encontrei uma garotinha de uns 7 anos que se chamava LuíSa com S. Não resisti a pergunta.
- Você é feliz com o S?- Claro! Porque não seria?
Papo encerrado. Contrariando 96% das opiniões de pessoas próximas e distantes decidimos registrar nossa segunda filhinha como
Luísa Tabosa Oliveira.
A Palavra ensina: Mais vale o bom nome que as muitas riquezas.
E com certeza um bom nome é feito de muito mais do que detalhes como o S ou o Z. Um bom nome é fruto de caráter, integridade, ética, honestidade, sabedoria e todas estas coisas que andam tão em falta ultimamente.
Como pais queremos transmitir todos esses valores para nossas pequenas e isso com certeza é feito de um material muito mais complexo do que a fila de letrinhas utilizada para se referir a pessoas que podem as vezes até ter o mesmo nome, mas que com certeza são únicas.









