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LuiZa ou LuíSa? Eis a Resposta

Março 25, 2008

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Quando alguém nasce em uma família judia não recebe um nome imediatamente. Os pais convivem com o bebê um tempo. Conhecem mais sobre o temperamento, refletem sobre as circunstancias do parto e avaliam o histórico da gestação. Após esse processo escolhem cuidadosamente um nome que possa traduzir todos estes eventos em uma só palavra. Consulte sua bíblia e vai encontrar exemplos clássicos de nomes com significados lindos até alguns que dão arrepios quando descobrimos o sentido.

Por exemplo. Emanuel significa: Deus Conosco. Já Mara seria: Amarga

Mas se você se chama Mara não fique chateada, conheço Maras que são um doce e uns Emanueis que não querem nem saber de Deus.

Aqui no ocidente a coisa corre mais frouxa.

Cada um tem seu jeito de escolher o nome ideal para o filho. Alguns decidem por causa do som sofisticado da palavra, (Uxley Jason) outros querem homenagear figuras importantes (Wolfgan Amadeus Mozart da Silva), apaixonados juntam os nomes dos pais (Jairinho e Cassiane tiveram uma filha registrada como Jayanne) e falando nela tem os que adoram enfeitar enchendo os nomes com três N’s, vários Y’s e uma enxurrada de T’s.

Mas afinal de contas existe nome ideal?

Trabalhando por três anos num cartório lidei diariamente com prenomes dos mais simples aos totalmente exóticos. Tinha gente registrada como Antão, Mac Donald, Maicon Jequison além dos gêmeos Difuntino e Reduzino. Era uma festa. Em 1973 o governo resolveu colocar um freio na criatividade brasileira. Os cartórios hoje são proibidos de registrar nomes que possam colocar as crianças em situação vexatória. Mas como explicar a uma mamãe que Epistilênio é um nome, hum, bem, arf, um pouquinho inadequado?

Como a maioria dos brasileiros meu nome foi escolhido de forma bem peculiar. Sou Clayton por causa de uma marca de margarina.

Você já passou Claybom no pão de manhã antes de sair?

Se a resposta for sim. Lembre-se de mim no próximo intervalo para o cafezinho com biscoitos. Minha mãe ama margarina e achava lindo o nome da empresa que até 1986 fabricava a bendita.Anderson Clayton Inc.

Daí surgiu à vontade de ter dois filhos, um chamado Anderson e outro Clayton.Meu irmão seria batizado como Anderson, no entanto uma Tia que também curtia pão com manteiga teve seu filho dias antes do meu irmão nascer, por isso meus pais resolveram com Cléverson.

Agora tinha chegado minha vez de escolher o nome para uma filha.

Decidir por Julia tecnicamente foi fácil. Minha esposa já tinha esse nome desde o dia em que começamos a namorar. No segundo filho tínhamos decidido que se fosse menino seria batizado como Bernardo, já para menina gostávamos muito de LuíSa ou seria LuiZa???

No inicio não gastamos muitos neurônios pensando nisso porque ainda existia a possibilidade de termos um menino, hipótese que se dissolveu nos primeiros meses de gestação. Teríamos mais uma menina. Então hora de por a mão na massa e decidir qual a grafia correta. De cara começamos uma pesquisa informal juntos aos amigos e parentes. Deu LuiZa na cabeça.

Um dia fui garimpar num dicionário de prenomes e descobri que LuiZa com Z nem era mencionado, só existia LuiSa entre os verbetes. Resolvemos dar uma pesquisada e descobrimos o seguinte.

Para começar LuiZa ou LuíSa é o equivalente feminino de LuiS ou LuiZ.

Nome de origem germânica que em alemão arcaico é formado por duas palavrinhas:

Hlud – Fama e Wig – Guerra = Hludwig.

O que numa interpretação ao pé da letra seria “Guerreiro Famoso”

A forma latina do mesmo prenome é: Clodovicus e posteriormente Ludovicus.

Em francês antigo Looïs no moderno Louis.

Esse nome começou a ficar muito popular na Península Ibérica devido ao carisma de um rei francês chamado Luís IX e já foi utilizado por mais de dezoitoreis da França. Chique hein?

Aqui na nossa terrinha o nome foi “abrasileirado” ganhando versões (vai saber por que) com Z, ou seja, Luís se transformou em Luiz.

De acordo com as normas ortográficas vigentes LuiZ não é a forma correta de se escrever. No entanto tantas pessoas já foram registradas dessa forma que ninguém liga mais.

Assim as LuíSas seguiram pela mesma trilha transformando se em   LuiZas.

Isso é mais comum do que parece. Chamo-me Clayton, porque a fonte de inspiração dos meus pais foi uma empresa gringa e eles reproduziram a ortografia do prenome letra por letra, entretanto o mais comum é encontrar versões tupiniquins como: Cleyton, Cleiton, Cleito, Cleitu, Cleitom e por ai vai…

No fim a decisão é mais pessoal do que qualquer coisa.

Particularmente acho o Z muito quadrado. Sinto atração pelo S mais redondinho e delicado. Quando escrevo a mão também sinto que LuíSa flui de forma mais fácil.

Dias antes de registrar encontrei uma garotinha de uns 7 anos que se chamava LuíSa com S. Não resisti a pergunta.

- Você é feliz com o S?- Claro! Porque não seria?

Papo encerrado. Contrariando 96% das opiniões de pessoas próximas e distantes decidimos registrar nossa segunda filhinha como

Luísa Tabosa Oliveira.

A Palavra ensina: Mais vale o bom nome que as muitas riquezas.

E com certeza um bom nome é feito de muito mais do que detalhes como o S ou o Z. Um bom nome é fruto de caráter, integridade, ética, honestidade, sabedoria e todas estas coisas que andam tão em falta ultimamente.

Como pais queremos transmitir todos esses valores para nossas pequenas e isso com certeza é feito de um material muito mais complexo do que a fila de letrinhas utilizada para se referir a pessoas que podem as vezes até ter o mesmo nome, mas que com certeza são únicas.    

A alegria vem pela manhã (bem cedo)

Março 1, 2008

O dia nasceu lindo no domingo. Levantamos as 06h00 da matina, conferimos as nossas coisas e zarpamos para o hospital. Estrada deserta, trânsito excelente.

Um funcionário com cara amarrotada de sono nos recebeu e começou os procedimentos chatos e burocráticos de internação. Eu estava elétrico, a Jú em pânico, mas os dois mantendo o bom humor. Meu irmão já estava nos esperando com filmadora a tira-colo.

na recepção do hospital

Subimos para o nosso apartamento. Era grande, ventilado, com um banheiro enorme e uma televisão que insistia em não funcionar. Entrei me jogando no sofá, fingindo estar num hotel. Liguei na recepção para reclamar da TV, minha fantasia não durou 40 segundos, quando a mocinha de branco entrou toda sorridente com roupas cirúrgicas nas mãos caiu à ficha. Luisa estava chegando.

Juliane de roupa trocada foi caminhando para o centro cirúrgico. Fiquei para trás pegando as ultimas instruções sobre como operar uma filmadora com a mão direita e câmera fotográfica na esquerda, ao mesmo tempo. Sai desajeitado atrás da enfermeira já filmando o caminho entre o apartamento e o local da operação.

Chegando encontrei nossos médicos com um humor ótimo. Maior astral. A equipe que realizaria nosso parto era internacional, um equatoriano Dr. Ramiro Morocho (Nosso obstetra) e um árabe Dr. Mohamed Ibrahim. Excelentes profissionais. Fizeram piada das minhas mãos ocupadas e me apressaram para trocar de roupa. Dentro do vestiário começou a bater aquela ansiedade na boca do estomago.

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- Ándale Hombre!! Me apressava doutor Ramiro.

Na sala de operações os procedimentos para a cirurgia já haviam começado. A Jú procurava com olhos aflitos, por isso me deixaram entrar e acalma-la durante a anestesia.

Observação Importante: Somos TOTALMENTE a favor do parto normal. Desde o inicio da nossa gravidez consideramos a cesariana como ultima alternativa. O motivo de a Luisa chegar ao mundo nesta modalidade de parto você vai descobrir daqui a pouco.

Os doutores entraram. Tranqüilizaram a Jú, informando que todos os aparelhos registravam condições ideais de parto e que todas as sensações horríveis da anestesia não eram nada além de… Sensações. Tudo estava certo.

No entanto minha mulher estava com os nervos à flor da pele.Os assistentes colocaram uma cadeirinha para que sentasse perto da cabeça da Jú, atrás do pano. Eu ficava acalmando a parturiente e tentando registrar tudo ao mesmo tempo com as duas mãos. Quem me conhece sabe o quanto eu sou unidirecional. Não consigo falar ao telefone e ler ao mesmo tempo. Imagina meu aperto.

O anestesista não parava de chamar.

- Vem filmar aqui na frente. Tá fazendo o corte agora ó.

- Só a neném. Agente só quer registrar a neném.

Eu tinha que repetir todo tempo.Quem vai querer bisturis, sangue e seringas como lembranças de infância? Cada uma hein.

- Venga, para cá!! Está em la hora!!

De bate pronto pulei da cadeira e corri para frente. No nervosismo fui conferir a se a filmadora estava gravando e acabei desligando. Com as mãos nervosas coloquei a maquina fotográfica na opção de filmar e gritei Vai!

Em um momento desses o tempo para. Nada que eu escreva. Nenhuma palavra consegue traduzir a dimensão que tem. A expressão “amor à primeira vista”ganha um sentidomágico numa hora como essa. Se você é pai ou mãe entende o que estou dizendo. Se ainda não é sinceramente espero que um dia compreenda.

Talvez você não tenha percebido, mas num movimento rápido o médico desenrolou o cordão umbilical do pescocinho.

Agradeço a Deus por todo o avanço da medicina. Quantas mulheres e crianças já morreram devido a complicações com cordões umbilicais? Já aconteceu uma vez na minha casa. Devia ter uns 12 anos. Chegaram com uma mulher em trabalho de parto e colocaram no quarto dos meus pais. Ela parecia sentir muita dor e para tentar ajudar disse pra ela que se fosse um menino o chamasse de Clayton. Ela deve ter ficado lá por umas duas horas e no outro dia soube que o bebê infelizmente morreu ao nascer por estar com o cordão em volta do pescoço. “Bendita” rede pública de hospitais. Era um menino e ela o chamou de Clayton.

Domingo graças a Deus e a toda a evolução minha filhinha nasceu perfeita.

A partir daí foi festa. Filmar o teste de Apgar. Conferencia de peso e tamanho. Primeiro banho. Ligar para os pais e transmitir o chorinho. Correr para descrever melhor a neném para a Jú. Só alegria.

Antes que me esqueça, os números.

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 24/02/2008. Às 07h45. 3,400 kg. 49 cm. Cesariana.

O pós-operatório foi tranqüilo. Em algumas horas as duas já estavam no apartamento descansando. Nossos amigos e parentes deram um trabalhão para os seguranças do hospital. Uma procissão começou a se formar desde o momento em que estávamos no centro cirúrgico. Pai, mãe, irmãos, cunhados, tios. Ê povo animado. Deixa a criança dormir gente!

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Passei a primeira noite da Luisa ao lado dela e da mamãe. Assistimos ao Oscar juntos.Quer dizer. Prestar atenção, não prestamos. Estávamos muito encantados para fazer outra coisa senão cheirar e beijar aquele pedacinho de gente.

No outro dia a Julinha conheceu a irmãzinha. O encontro foi lindo, Julia foi super receptiva. Só que as pilhas da maquina resolveram falhar na hora. Mas a vovó registrou. Logo posto as fotos das duas juntas. Lindas.

Ser pai de segunda viagem é como um sonho. É como um candango visitando o rio de janeiro pela segunda vez. Não entendeu? Amanhã explico. 

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A luísa nasceu linda, perfeita e cara da Julia. Elas são iguaizinhas. Pelo menos ao nascer.

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A Palavra diz que a alegria vem pela manhã, no nosso caso ela chegou bem cedo.

Obrigado Senhor. =]

LuiZa ou LuiSa? Eis a questão

Fevereiro 15, 2008

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Nossa segunda filhinha já está quase aqui e ainda não decidimos.

LuiZa ou LuiSa???

 Alguém ai tem alguma sugestão?

Upload: Já decidimos qual a grafia utilizar no registro da nossa filhinha, para descobrir clique AQUI