O dia nasceu lindo no domingo. Levantamos as 06h00 da matina, conferimos as nossas coisas e zarpamos para o hospital. Estrada deserta, trânsito excelente.
Um funcionário com cara amarrotada de sono nos recebeu e começou os procedimentos chatos e burocráticos de internação. Eu estava elétrico, a Jú em pânico, mas os dois mantendo o bom humor. Meu irmão já estava nos esperando com filmadora a tira-colo.
Subimos para o nosso apartamento. Era grande, ventilado, com um banheiro enorme e uma televisão que insistia em não funcionar. Entrei me jogando no sofá, fingindo estar num hotel. Liguei na recepção para reclamar da TV, minha fantasia não durou 40 segundos, quando a mocinha de branco entrou toda sorridente com roupas cirúrgicas nas mãos caiu à ficha. Luisa estava chegando.
Juliane de roupa trocada foi caminhando para o centro cirúrgico. Fiquei para trás pegando as ultimas instruções sobre como operar uma filmadora com a mão direita e câmera fotográfica na esquerda, ao mesmo tempo. Sai desajeitado atrás da enfermeira já filmando o caminho entre o apartamento e o local da operação.
Chegando encontrei nossos médicos com um humor ótimo. Maior astral. A equipe que realizaria nosso parto era internacional, um equatoriano Dr. Ramiro Morocho (Nosso obstetra) e um árabe Dr. Mohamed Ibrahim. Excelentes profissionais. Fizeram piada das minhas mãos ocupadas e me apressaram para trocar de roupa. Dentro do vestiário começou a bater aquela ansiedade na boca do estomago.
- Ándale Hombre!! Me apressava doutor Ramiro.
Na sala de operações os procedimentos para a cirurgia já haviam começado. A Jú procurava com olhos aflitos, por isso me deixaram entrar e acalma-la durante a anestesia.
Observação Importante: Somos TOTALMENTE a favor do parto normal. Desde o inicio da nossa gravidez consideramos a cesariana como ultima alternativa. O motivo de a Luisa chegar ao mundo nesta modalidade de parto você vai descobrir daqui a pouco.
Os doutores entraram. Tranqüilizaram a Jú, informando que todos os aparelhos registravam condições ideais de parto e que todas as sensações horríveis da anestesia não eram nada além de… Sensações. Tudo estava certo.
No entanto minha mulher estava com os nervos à flor da pele.Os assistentes colocaram uma cadeirinha para que sentasse perto da cabeça da Jú, atrás do pano. Eu ficava acalmando a parturiente e tentando registrar tudo ao mesmo tempo com as duas mãos. Quem me conhece sabe o quanto eu sou unidirecional. Não consigo falar ao telefone e ler ao mesmo tempo. Imagina meu aperto.
O anestesista não parava de chamar.
- Vem filmar aqui na frente. Tá fazendo o corte agora ó.
- Só a neném. Agente só quer registrar a neném.
Eu tinha que repetir todo tempo.Quem vai querer bisturis, sangue e seringas como lembranças de infância? Cada uma hein.
- Venga, para cá!! Está em la hora!!
De bate pronto pulei da cadeira e corri para frente. No nervosismo fui conferir a se a filmadora estava gravando e acabei desligando. Com as mãos nervosas coloquei a maquina fotográfica na opção de filmar e gritei Vai!
Em um momento desses o tempo para. Nada que eu escreva. Nenhuma palavra consegue traduzir a dimensão que tem. A expressão “amor à primeira vista”ganha um sentidomágico numa hora como essa. Se você é pai ou mãe entende o que estou dizendo. Se ainda não é sinceramente espero que um dia compreenda.
Talvez você não tenha percebido, mas num movimento rápido o médico desenrolou o cordão umbilical do pescocinho.
Agradeço a Deus por todo o avanço da medicina. Quantas mulheres e crianças já morreram devido a complicações com cordões umbilicais? Já aconteceu uma vez na minha casa. Devia ter uns 12 anos. Chegaram com uma mulher em trabalho de parto e colocaram no quarto dos meus pais. Ela parecia sentir muita dor e para tentar ajudar disse pra ela que se fosse um menino o chamasse de Clayton. Ela deve ter ficado lá por umas duas horas e no outro dia soube que o bebê infelizmente morreu ao nascer por estar com o cordão em volta do pescoço. “Bendita” rede pública de hospitais. Era um menino e ela o chamou de Clayton.
Domingo graças a Deus e a toda a evolução minha filhinha nasceu perfeita.
A partir daí foi festa. Filmar o teste de Apgar. Conferencia de peso e tamanho. Primeiro banho. Ligar para os pais e transmitir o chorinho. Correr para descrever melhor a neném para a Jú. Só alegria.
Antes que me esqueça, os números.
24/02/2008. Às 07h45. 3,400 kg. 49 cm. Cesariana.
O pós-operatório foi tranqüilo. Em algumas horas as duas já estavam no apartamento descansando. Nossos amigos e parentes deram um trabalhão para os seguranças do hospital. Uma procissão começou a se formar desde o momento em que estávamos no centro cirúrgico. Pai, mãe, irmãos, cunhados, tios. Ê povo animado. Deixa a criança dormir gente!
Passei a primeira noite da Luisa ao lado dela e da mamãe. Assistimos ao Oscar juntos.Quer dizer. Prestar atenção, não prestamos. Estávamos muito encantados para fazer outra coisa senão cheirar e beijar aquele pedacinho de gente.
No outro dia a Julinha conheceu a irmãzinha. O encontro foi lindo, Julia foi super receptiva. Só que as pilhas da maquina resolveram falhar na hora. Mas a vovó registrou. Logo posto as fotos das duas juntas. Lindas.
Ser pai de segunda viagem é como um sonho. É como um candango visitando o rio de janeiro pela segunda vez. Não entendeu? Amanhã explico.
A luísa nasceu linda, perfeita e cara da Julia. Elas são iguaizinhas. Pelo menos ao nascer.
A Palavra diz que a alegria vem pela manhã, no nosso caso ela chegou bem cedo.
Obrigado Senhor. =]









