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A alegria vem pela manhã (bem cedo)

Março 1, 2008

O dia nasceu lindo no domingo. Levantamos as 06h00 da matina, conferimos as nossas coisas e zarpamos para o hospital. Estrada deserta, trânsito excelente.

Um funcionário com cara amarrotada de sono nos recebeu e começou os procedimentos chatos e burocráticos de internação. Eu estava elétrico, a Jú em pânico, mas os dois mantendo o bom humor. Meu irmão já estava nos esperando com filmadora a tira-colo.

na recepção do hospital

Subimos para o nosso apartamento. Era grande, ventilado, com um banheiro enorme e uma televisão que insistia em não funcionar. Entrei me jogando no sofá, fingindo estar num hotel. Liguei na recepção para reclamar da TV, minha fantasia não durou 40 segundos, quando a mocinha de branco entrou toda sorridente com roupas cirúrgicas nas mãos caiu à ficha. Luisa estava chegando.

Juliane de roupa trocada foi caminhando para o centro cirúrgico. Fiquei para trás pegando as ultimas instruções sobre como operar uma filmadora com a mão direita e câmera fotográfica na esquerda, ao mesmo tempo. Sai desajeitado atrás da enfermeira já filmando o caminho entre o apartamento e o local da operação.

Chegando encontrei nossos médicos com um humor ótimo. Maior astral. A equipe que realizaria nosso parto era internacional, um equatoriano Dr. Ramiro Morocho (Nosso obstetra) e um árabe Dr. Mohamed Ibrahim. Excelentes profissionais. Fizeram piada das minhas mãos ocupadas e me apressaram para trocar de roupa. Dentro do vestiário começou a bater aquela ansiedade na boca do estomago.

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- Ándale Hombre!! Me apressava doutor Ramiro.

Na sala de operações os procedimentos para a cirurgia já haviam começado. A Jú procurava com olhos aflitos, por isso me deixaram entrar e acalma-la durante a anestesia.

Observação Importante: Somos TOTALMENTE a favor do parto normal. Desde o inicio da nossa gravidez consideramos a cesariana como ultima alternativa. O motivo de a Luisa chegar ao mundo nesta modalidade de parto você vai descobrir daqui a pouco.

Os doutores entraram. Tranqüilizaram a Jú, informando que todos os aparelhos registravam condições ideais de parto e que todas as sensações horríveis da anestesia não eram nada além de… Sensações. Tudo estava certo.

No entanto minha mulher estava com os nervos à flor da pele.Os assistentes colocaram uma cadeirinha para que sentasse perto da cabeça da Jú, atrás do pano. Eu ficava acalmando a parturiente e tentando registrar tudo ao mesmo tempo com as duas mãos. Quem me conhece sabe o quanto eu sou unidirecional. Não consigo falar ao telefone e ler ao mesmo tempo. Imagina meu aperto.

O anestesista não parava de chamar.

- Vem filmar aqui na frente. Tá fazendo o corte agora ó.

- Só a neném. Agente só quer registrar a neném.

Eu tinha que repetir todo tempo.Quem vai querer bisturis, sangue e seringas como lembranças de infância? Cada uma hein.

- Venga, para cá!! Está em la hora!!

De bate pronto pulei da cadeira e corri para frente. No nervosismo fui conferir a se a filmadora estava gravando e acabei desligando. Com as mãos nervosas coloquei a maquina fotográfica na opção de filmar e gritei Vai!

Em um momento desses o tempo para. Nada que eu escreva. Nenhuma palavra consegue traduzir a dimensão que tem. A expressão “amor à primeira vista”ganha um sentidomágico numa hora como essa. Se você é pai ou mãe entende o que estou dizendo. Se ainda não é sinceramente espero que um dia compreenda.

Talvez você não tenha percebido, mas num movimento rápido o médico desenrolou o cordão umbilical do pescocinho.

Agradeço a Deus por todo o avanço da medicina. Quantas mulheres e crianças já morreram devido a complicações com cordões umbilicais? Já aconteceu uma vez na minha casa. Devia ter uns 12 anos. Chegaram com uma mulher em trabalho de parto e colocaram no quarto dos meus pais. Ela parecia sentir muita dor e para tentar ajudar disse pra ela que se fosse um menino o chamasse de Clayton. Ela deve ter ficado lá por umas duas horas e no outro dia soube que o bebê infelizmente morreu ao nascer por estar com o cordão em volta do pescoço. “Bendita” rede pública de hospitais. Era um menino e ela o chamou de Clayton.

Domingo graças a Deus e a toda a evolução minha filhinha nasceu perfeita.

A partir daí foi festa. Filmar o teste de Apgar. Conferencia de peso e tamanho. Primeiro banho. Ligar para os pais e transmitir o chorinho. Correr para descrever melhor a neném para a Jú. Só alegria.

Antes que me esqueça, os números.

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 24/02/2008. Às 07h45. 3,400 kg. 49 cm. Cesariana.

O pós-operatório foi tranqüilo. Em algumas horas as duas já estavam no apartamento descansando. Nossos amigos e parentes deram um trabalhão para os seguranças do hospital. Uma procissão começou a se formar desde o momento em que estávamos no centro cirúrgico. Pai, mãe, irmãos, cunhados, tios. Ê povo animado. Deixa a criança dormir gente!

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Passei a primeira noite da Luisa ao lado dela e da mamãe. Assistimos ao Oscar juntos.Quer dizer. Prestar atenção, não prestamos. Estávamos muito encantados para fazer outra coisa senão cheirar e beijar aquele pedacinho de gente.

No outro dia a Julinha conheceu a irmãzinha. O encontro foi lindo, Julia foi super receptiva. Só que as pilhas da maquina resolveram falhar na hora. Mas a vovó registrou. Logo posto as fotos das duas juntas. Lindas.

Ser pai de segunda viagem é como um sonho. É como um candango visitando o rio de janeiro pela segunda vez. Não entendeu? Amanhã explico. 

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A luísa nasceu linda, perfeita e cara da Julia. Elas são iguaizinhas. Pelo menos ao nascer.

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A Palavra diz que a alegria vem pela manhã, no nosso caso ela chegou bem cedo.

Obrigado Senhor. =]

Antes do amanhecer

Fevereiro 27, 2008

Estou de volta ao blog. Nos dois últimos dias estivemos totalmente envolvidos com fraldas RN, chupetas e mimos. E devido ao sumiço do cabo da câmera fotográfica hoje ainda não vou poder postar as fotos. Mas creio que amanhã as primeiras imagens da Luísa vão estar disponíveis para todo mundo babar a vontade. Enquanto isso, um resuminho sobre a noite anterior ao nascimento.

Parto com hora marcada é uma coisa muito estranha.

Mas não deveria ser, já que alguns dos momentos mais marcantes da historia de qualquer um geralmente são agendados. Completar 18 anos tem data, formatura e casamento também. Mas, partos?

Eles estão em uma outra categoria. Num ponto do inconsciente coletivo onde se reúnem todos aqueles eventos que são muito esperados, mas que vai saber o porquê, tem forte conexão com o acaso como o primeiro beijo e o sonho de ter impostos mais baixos.

A Julia, por exemplo, chegou em uma data não programada. Juliane foi fazer uma consulta de rotina quando o nosso médico informou que já estava com 3 de dilatação. Dali a algumas horas nasceu.

Com a Luísa por indicação clinica, marcamos. E o nível de expectativa é enorme. Muito maior do que imaginávamos. Domingo às 07h00 não tinha jeito chovesse ou fizesse sol, nossa bebê estaria entre nós.

Por isso, procuramos na medida do possível, relaxar. Pedimos comida chinesa, locamos todas as comedias românticas açucaradas que encontramos e pensamos em coisas que contornassem a expectativa. Missão impossível.

A ansiedade teimou em pernoitar na nossa casa.

Passamos a noite em claro. Numa vigília monótona, olhando para a dança de luzes e sombras que a televisão desenhava na parede, de mãos dadas transmitindo força e segurança um pro outro sem que palavras fossem necessárias.

OPA! Tem um neném me chamando.

Amanhã conto sobre como foram os últimos preparativos e o grande momento de conhecer nossa segunda filha.

Ps. Se alguém quiser deixar recado na caixa de comentários agente não fica chateado.

Extra, Extra!

Fevereiro 24, 2008