Arquivo para Abril, 2009

Crescer Dói

Abril 6, 2009

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Quando a vida inteira se resume a apenas 9 meses poucas coisas são tão doloridas quanto o nascimento dos primeiros dentes. As gengivas banguelas da Luísa estão feridas por pequenas pontinhas brancas, sinais da dentição que chega. Os reflexos imediatos são febre e mal-estar.

Crescer Dói

No entanto os resultados são dentes fortes para sentir novos sabores.

Também nós em algum ponto da existência vamos vivenciar o paradoxo de sentir dor para alcançar a alegria.

Esperar 18 anos para se obter carteira de motorista dói. Estudar até a formatura na faculdade dói. Gerar e dar a luz a um ser humano também dói. Só suportamos estas agonias por saber que após o sofrimento vem o prazer de dirigir, o orgulho de uma profissão e a aventura da maternidade.

Imagine então como seria se recebêssemos as ofensas, decepções e feridas como oportunidade de crescimento? Sentir dor e não usá-la para crescer é perda de tempo e vida.

Transformar males num motor de maturidade é revolucionário. Por isso tenha a serenidade de aceitar que dores no caminho são inevitáveis.

No entanto converta cada sofrimento da alma num degrau de sabedoria.

Afinal se soubesse falar Luísa diria: Crescer dói, mas crescer é sempre melhor que tomar apenas leite pelo resto da vida.

Pense Nisso…

Fraldas Sujas

Abril 3, 2009

 

 

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Quando ainda usava fraldas a Julia tinha um hábito curioso.

Escondia-se atrás das cortinas para fazer “caquinha”. Depois tentava disfarçar e não deixava trocar suas fraldas.

- “Tô com vegonha”.

Como adultos quantas vezes agimos da mesma forma?

Sujamos nossas vidas e depois nos escondemos do Pai por estarmos mal cheirosos. A vergonha e o remorso nos impedindo de entender que o que mais aflige o Pai não são as sujeiras em si, mas a situação de permanecermos imundos.  

Foi assim no Éden, foi assim com a Julia, é assim o tempo todo.

Portanto permita que O Pai troque suas fraldas espirituais. Sabendo que em algumas áreas você vai se sujar mais de uma vez. Mas se prosseguir apreendendo com a simplicidade de um coração infantil, vai crescer, amadurecer e não precisar de fraldas nunca mais.

Pense nisso…

 

 

Sobre Hidrantes Amarelos

Abril 2, 2009

 

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Eu moro no Oeste. Mais precisamente no centro-oeste do Brasil. E aqui nosso chão é rubro. Quer dizer o solo do cerrado tem muitas cores. Entretanto o vermelho se destaca pela fartura com que tinge nossa terra. Qual o resultado pratico disso?

Hidrantes amarelos.

Brasília é a única cidade do mundo que tem hidrantes desta cor. Por um motivo simples. Numa cidade de solo vermelho é mais fácil identificar um hidrante amarelo nos momentos de emergência.

Os fundadores da capital tinham essa preocupação. Temiam que durante um incêndio o vermelho (que a maioria dos hidrantes ao redor do mundo tem) confundisse os olhos dos bombeiros. Por isso optaram pelo amarelo, que mesmo diante das chamas continua a se apresentar vibrante e chamativo, facilitando o socorro nos momentos de aflição. Hidrantes são assim. Sinais de onde existe água disponível para os momentos difíceis. Sejam para apagar queimadas ou aplacarem secas, lá estão eles. Sempre rimando com nosso Hino Nacional “Firmes e impávidos colossos”.

Não sei muito sobre o que existia na Palestina de Cristo. Entretanto tenho certeza que os hidrantes ainda não haviam sido inventados. O que não impediu Jesus de descrevê-los para uma moça estrangeira.

“… porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”.

De um certo modo Cristo se referia àquelas fontes, da maneira que hoje tratamos nossos hidrantes. Afinal os hidrantes nada mais são que fontes de águas artificiais espalhadas pelas cidades para socorro em momentos de emergência. Por isso numa tradução mais livre o texto poderia ser entendido da seguinte forma.

“… porque a água que eu lhe der se fará nele um hidrante a jorrar para a vida eterna”. Tradução minha.

Já imaginou se como cristãos fossemos capazes desta simplicidade pratica?

No entanto estamos muito mais para pedra-pomes que para fontes generosas de águas pluviais.

Uns são semelhantes a hidrantes vermelhos num solo também vermelho. No tempo da dificuldade todos sabem que eles existem, mas são difíceis de encontrar. Ninguém é capaz de diferenciá-los da cor do chão. Só tons sobre tons que nada dizem ou oferecem.

Outros rompem em águas tão violentas e intolerantes que em vez de apenas apagar incêndios terminam por afogar justo aqueles que deveriam ser salvos.

A religião até parece e se porta como um hidrante, daqueles bem amarelões e estereotipados. Mas na hora do fogaréu em vez de água tudo o que os aflitos encontram é um hidrante expelindo fumaça. Apenas poluição inútil entupindo os pulmões da alma.

Por um instante, imagine a revolução que representaria se quando estivéssemos em algum lugar todos sentissem em nós aquilo que enxergam nos hidrantes. A certeza de que existe água disponível em nosso interior para saciar desde a sede das crianças até os maiores incêndios emocionais.

Imagine todas as pessoas que seguem os ensinamentos de Jesus como fontes que alimentam e não ressecam, águas que arrancam o peso da sujeira e não trazem enfado, canais abertos liberando água e nada mais que água.

Saltando diante dos olhos de todos como hidrantes amarelos reluzindo no meio da terra vermelha desta vida.

Pense nisso.